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Terça-feira, 6/12/2016
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Tem café?

Acordar, ir à cozinha e preparar um café forte para despertar o sistema. Um dos poucos prazeres para madrugadores. Logo, presume-se, que a bebida seja de fácil preparo.

Mas não é.

Sofro demais (e invejo quem consiga) por não conseguir tirar do enigmático pó algo equilibrado.

Sempre fica um líquido viscoso no fundo da xícara que me entristece, denunciando sua má feitura – a famosa borra.

Penso que o meu erro esteja na convergência da quantidade de água com o pó. A porção deste sempre ultrapassa o poder diluidor daquele.

Processo simples, acredito, para o resto do mundo, que me dá ódio.

Em alguma passagem da minha existência, sessões de tortura devem ter me deixado longos períodos sem café, ou me oferecido apenas água de batata.

O que desordenou a região mestre-cuca do meu cérebro, me obrigando a pesar a mão nas colheradas. E não há maneira de ser diferente.

*Marco Garcia é jornalista paulistano. Mora em Fortaleza.

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Postado por Blog de Marco Garcia
6/12/2016 às 11h50

 
Ferreira Gullar (1930-2016)

Morreu o nosso último poeta digno de nome. Também o nosso último candidato a Prêmio Nobel. Podemos desistir de ganhar. Em literatura, pelo menos

Gullar, cuja família era Goulart, foi reconhecido por todos. No seu aniversário de 18 anos, sozinho no Rio de Janeiro, um único livro publicado, amigos bateram na porta do seu apartamento para comemorar com ele. O último a entrar, teve de se apresentar: "Oi, eu sou o Oswald de Andrade"

Quando estava no exílio - como Paulo Francis, foi de esquerda quando ninguém era, e deixou de sê-lo quando todo mundo virou -, viveu situações precárias e achava que poderia não sobreviver. Resolveu deixar um poema-testamento. Sobre tudo. Foi de Vinicius de Moraes a ideia de gravar Gullar recitando o poema. Quem ouvia a fita, no Brasil da época, chorava. Era o Poema Sujo

Numa das últimas Flips a que eu fui, Gullar leu o "Sujo" para a plateia. E numa das últimas edições, pela José Olympio, era encartado um CD com ele recitando o "Poema"

Além de poeta, Gullar tinha uma grande sensibilidade artística, participou do movimento neo-concretista, e foi crítico de arte. Era um ferrenho crítico da arte contemporânea e achava que a arte conceitual havia ido longe demais. "É como se a literatura ficasse presa no James Joyce, ou no Guimarães Rosa", afirmava

Também rompeu com os concretistas (os poetas concretos) - que morreram, quase todos, brigados com ele. Gullar justificava o rompimento dizendo que poesia não era matemática - e quando usavam fórmulas matemáticas para criar poemas, não havia mais sentido

Por conta do seu engajamento de esquerda, se aproximou da turma do Teatro Opinião, e se meteu a fazer poesia de cordel. Igualmente, se desiludiu. Não acreditava que seu papel, como poeta, era "sensibilizar as massas" politicamente - muito menos, produzindo poesia de baixa extração...

Ultimamente, arranjou muitas brigas, pois se tornou um grande crítico do PT, da esquerda e dos intelectuais (muitos, colegas seus). Sua coluna semanal na Ilustrada, dada a sua grande obra poética, tornara-se incômoda - para tanta gente que abraçara a utopia e não sabia mais viver sem se apoiar no governo e na Lei Rouanet...

E Ferreira Gullar - para quem não gosta da Globo - trabalhou na TV Globo. E podemos dizer que a poesia brasileira deve alguma coisa à Globo. Porque esta permitiu que Gullar vivesse dignamente enquanto se dedicava àquela...

Era um prazer ouvir Gullar falar. Era um mestre. Como tinha muita vivência, e uma obra digna desse nome, nunca lhe faltava assunto, e suas opiniões eram, no mínimo, interessantes

Ninguém poderia imaginar que um gênio desses poderia sair do Maranhão (nada contra os maranhenses), e ainda por cima se chamar José Ribamar (o mesmo nome daquele homem). Talvez Gullar tenha vindo, justamente, para redimir o Maranhão

E Gullar sofreu como pai. Tinha esquizofrenia na família, mas se colocava à disposição para falar do assunto sem rodeios - ajudando, inclusive, outros pais, e familiares, na mesma situação

A poesia brasileira fica à deriva agora. Perdeu um farol. Um norte. Como não se faz mais obras, como se fazia antigamente, ficamos órfãos - poeticamente

Claro, Gullar não viveria para sempre. E tivemos sorte por tê-lo, entre nós, durante tanto tempo. Mas olhando o horizonte da poesia brasileira hoje, não é dos mais animadores

Sobra uma poesia liliputiana, como diria Francis, pós-Leminski. E permanece a controvérsia se MPB é poesia, se "letra de música" equivale a poema e se Bob Dylan merecia o Nobel etc.

Eu acho que Dylan não merecia. Já Gullar merecia. Dá uma ideia da grandeza dele - para o Brasil e para a nossa língua

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Postado por Julio Daio Bløg
5/12/2016 às 11h06

 
4 de Dezembro de 2016

Estava meio pensativo se ia ou não, mas quando soube da morte do Ferreira Gullar, fui - por ele

Fazia tempo que não ia, acho que foi minha primeira manifestação pós-impeachment. Eu não achava que o Temer deveria ser incomodado. Até a última semana...

A gente percebe que a manifestação vai ser boa já no metrô: os camisas amarelas embarcando, aumentando a cada estação e desembarcando, em massa, na estação Paulista

Muita gente de meia-idade pra cima. Muitas famílias. Crianças. Muita gente enrolada na bandeira do Brasil (novo modelito)

Quando a gente percebe que tem muita gente "normal" se encaminhando da Consolação para a Paulista, conclui, antecipadamente, que vai ser algo representativo

Outro termômetro, pra mim, é a esquina da Augusta com a Paulista: quando a manifestação vai ser grande, ali já fica lotado - mas, desta vez, não estava

Desta vez, a concentração foi mesmo em frente ao Masp, onde estava o carro do Vem Pra Rua. Os carros anteriores a eles não me chamaram muito a atenção

Só teve um imediatamente anterior, um pouco antes do parque Trianon, onde subiu o Major Olímpio, e começou a berrar, daquele jeito dele, como quando era candidato a prefeito - até que falou coisa com coisa e o pessoal gostou

Chegando ao Masp, já se avistava os bonecos. O "novo", do Renan, que podia ser confundido com o Gilmar Mendes, pela calva e pelos óculos. E, do outro lado do carro de som, o eterno Pixuleco. Meio sentado, já que, de pé, ficaria maior que o "Renan" - o foco era o Renan

Procurei me instalar no Starbucks nas imediações, para fazer transmissões via Wi-Fi. (Na fanpage do Digestivo tem uma.) Mas estava difícil entrar e sair do Starbucks

Ilhado, aproveitei para ouvir os discursos. O Rogério Chequer, do Vem Pra Rua, fez questão de dizer que não era a favor do "Fora, Temer". Depois o Modesto Carvalhosa assumiu o microfone, mas se ouvia mal - ou não se ouvia nada

Basicamente, as pessoas vibravam e aplaudiam quando era mencionado o nome do Sérgio Moro. E, para a minha surpresa, havia um esforço, nos carros de som - nos primeiros, pelo menos - no sentido de afirmar que "nem todos os políticos" eram bandidos e que "nem todos", no Congresso, desvirtuaram as "10 Medidas"

O MBL estava num carro mais módico, desta vez (nem dava, quase, para reconhecer). E a turma da extrema direita - intervenção militar etc. - começava a aparecer mais na direção da Brigadeiro (mas não tinha muito quórum, não)

Como não poderia deixar de ser, não se ouvem mais os slogans anti-PT, como "Fora, PT" e "a nossa bandeira jamais será vermelha" etc.

E, dada a diversidade da fauna, me pareceu que a turma do Haddad - aquela que frequenta a Paulista "interditada" no domingo - acabou se misturando "quase sem querer" com o que chamavam de "coxinhas" (e, agora, quase não chamam mais)

Claro que a extrema esquerda não veio. Não havia quebra-quebra. Nem bandeiras vermelhas. E não vi nenhum cartaz "#ForaTemer"

Ainda é contra a corrupção (o movimento). Agora é contra o Renan. Respingando no Congresso e no STF. Mas ainda não é "contra o presidente". (Temer: em São Paulo, ainda não foi sua vez)

A sensação, como sempre, é muito boa - de ter ido. Eu fui mais por curiosidade, desta vez, confesso. Mas acho saudável. Mesmo não concordando 100% com a pauta

Quem não foi, perdeu. E vou além: quem não vai nas manifestações, não entende o Brasil de hoje. (Tem de sair do Facebook, gente)

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Postado por Julio Daio Bløg
5/12/2016 às 10h55

 
Carta aberta ao povo brasileiro



Senhores parlamentares, o povo brasileiro nada mais espera dos senhores. Nada além do que os senhores têm feito, legislar em causa própria, na calada da noite, seja esta de alegria ou tristeza nacional. Isso senhores parlamentares, porque já não há compostura, dessa que ainda ousamos chamar de classe política.

Brasileiros que elegemos para cuidar da sociedade brasileira. Brasileiros que os fizemos parlamentares, para direcionarem esforços em prol da saúde, educação, segurança, moradia e defesas dos nossos interesses junto aos outros povos.

Mas, com pesar, com tristeza e ao mesmo tempo ódio, percebemos que a casa do povo, Congresso Nacional, está tomada por brasileiros que cuidam tão somente de si mesmos. É notório, que nos últimos dois anos, não fazem outra coisa a não ser procurar artifícios escusos, para salvar a própria pele, dos ditames da justiça brasileira.

Procuram por todos os meios encobrir, seus crimes de lesa pátria, falcatruas, rapinagem do patrimônio do povo, que se esforça para encontrar um lugar ao sol. Mas os roedores do monte, das riquezas nacionais não dão trégua.

É estarrecedor como age essa gente, em todos os segmentos da estrutura organizacional e funcional brasileira, para reverter o processo entre eles a caça, e seus caçadores, a justiça do Brasil. Por hora, esta, ainda ganha, graças a coragem de pessoas jovens, honestas e trabalhadoras, do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal.

Que nós o povo brasileiro, não nos enganemos, há desfavoráveis em todas essas categorias, ao andamento dessa benéfica devassa realizada pela “Lava Jato”. Há sempre uns e outros que vestem a camisa do atraso, do retrocesso, da anarquia e do desmando, a que o nosso país está sendo levado.

Aqueles que realmente são brasileiros de coração e de alma, trabalhem incondicionalmente, para que os jovens trabalhadores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, que aí estão, com a nossa ajuda possam remover esses roedores da dignidade humana e da vergonha nacional perante o mundo.

É vergonhoso desestimados políticos brasileiros, o que os senhores fazem na calada da noite, enquanto o ordeiro povo brasileiro dorme. A ética nunca foi o forte dos senhores, a vergonha tão pouco, a honradez é para o outro. Restam-lhes o ódio dessa nação desfigurada pelos seus atos de desrespeitos ao anseio dessa gente tão ciosa, por uma nação sem corruptos e corruptores.

Há de chegar o dia em que os senhores políticos de hoje, não servirão sequer para abrir caminhos por onde escorrerá o esgoto dessa gente honesta e trabalhadora, que merece ser feliz. Sem vocês, corruptos e corruptores.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
3/12/2016 às 19h06

 
Que bela lição a Colômbia está dando ao mundo

O tempo jamais apagará da nossa memoria esse terrível acidente aéreo que envolveu a delegação do time da Chapecoense em Medelín. Uma tragédia que abalou o mundo inteiro.

Dizem que através da dor é que surgem a união e o amor. Pois é. Aquilo que andava “tão esquecido” no meio de nós, motivado certamente pelo momento de crise política e social que vive o Brasil, reaparece agora com um belo exemplo de altivez e carinho do povo da república colombiana:solidariedade e fraternidade.

Os colombianos nos deram, neste momento de dor e de profunda tristeza, um extraordinário exemplo de amor ao próximo.

Momentos inesquecíveis foram vistos no estádio de futebol onde seria decidida a copa sul-americana.

O carinho que eles tiveram para conosco foi muito emocionante.

Descobrimos uma nação nobre e cheia de princípios para ensinar o mundo todo.

Os jovens atletas da Chapecoense que iriam, nesta quarta-feira, 30 de novembro de 2016, disputar o título da Copa Sul-Americana, vão ficar para a história. Não apenas do futebol brasileiro, mas do sul-americano e mundial como verdadeiros heróis.

Não se encontram palavras para expressar a nossa tristeza pelas 71 vidas ceifadas. Nosso respeito e admiração ao povo Catarinense, às famílias enlutadas dos atletas da Chapecoense, da comissão técnica, bem como dos jornalistas e de toda a tripulação.

Pedimos ao Senhor da vida que proporcione forças aos familiares, parentes e amigos das vítimas para que reencontrem a paz e superem este momento de intenso sofrimento.

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Postado por BLOG de Ezequiel Sena
3/12/2016 às 18h13

 
No rastro de Augusto dos Anjos (série: sonetos)

Da asquerosa hemorragia ao bacilo,
o que poderia nascer não vive,
não guarda motivo que ora o cative
não conheceu nem leite nem mamilo.

Do feto, o que gorou sem redimi-lo
ao gosto do fel que o alimentou,
o que poderia ser não vingou
quando o refúgio exilou-se em sigilo.

No rastro dessa vida que amesquinhas,
ó medo, o coração se fragmenta,
debatendo-se no sangue das rinhas.

E no vazio que a pedra alimenta,
soletra a poesia as entrelinhas
lendo da sorte o que nos atormenta.


(poema inédito até então)

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Postado por Blog da Mirian
3/12/2016 às 09h20

 
Taxi Driver 40 anos - um retrovisor do presente.



Você poderá não lembrar daqui a 10 minutos de seu último comentário sobre um meme compartilhado por seu amigo, mas daqui a 10 anos estaremos falando de meio século de Taxi Driver (1976). Travis Bickle continuará, como nós, esquizofrenicamente, se olhando no espelho.

É verdade que nem sempre artistas são os melhores analistas de suas obras. Scorsese diria certa vez que se tivesse que explicar o filme, ele não o teria feito. Mas, das muitas falas sobre a obra, a que mais me chama atenção hoje é a do roteirista Paul Schrader.

Em uma edição especial do filme ele diz: “Bickle é o que fui, um jovem alienado e zangado. O filme é sobre um jovem. De várias maneiras, é um filme meio adolescente. Ele contém a raiva adolescente de jovens frustrados cheios de adrenalina e sêmen que querem controlar o mundo ou se vingar dele. Ou seja, dos familiares, dos primos, das colegas de escola e tudo mais”.

Isso, em parte, explica os pôsteres do filme nos quartos juvenis. Schrader está generalizando. Ele não quer dizer, evidentemente, que todo jovem se tornará um Travis Bickle. Mas, pelo menos, sua leitura é menos determinista do que aquelas que apontam Bickle totalmente como o resultado da sociedade norte-americana da época.

Sim. É a cidade a personagem principal a contracenar com De Niro. É através dela que se potencializam as pulsões do psicótico protagonista. Lugares, publicidade, tipos passam pelo para-brisa de seu taxi. Já no ápice de sua paranoia esquizoide, é para fora da janela, com a câmera focalizando a rua, que ele, ao comprar seu arsenal, aponta a arma.

Sua alienação está correlacionada ao seu desejo de pertencimento. Demasiadamente humano. Se Nova York é a capital do século XX, é porque, dentre outras coisas, é com ela, naquele período especialmente, que a experiência citadina podia suscitar essa representação.

Nosso desejo de pertencimento continua a se relacionar com a grande cidade, mas ele agora também se faz através de um cenário virtualizado. Travis percorre a cidade em suas telas e decrepitude; nós, jovens tecnófilos, percorremos um cotidiano sedentos por fantásticas concretudes.

Diz Scorsese: “O ponto central é quando De Niro tenta se abrir com Peter Boyle [que faz um colega motorista]. Mas o sujeito não consegue conversar com ele. [...] Para mim aquilo era o portal, que está mais fechado do que nunca. [...] Trata-se apenas do que é ser humano, essa parte da condição humana; é disso que estamos tratando com Travis Bickle”.[1]

Não. Não nos tornaremos todos Bickle. Tentamos contornar nossas neuroses refletindo-nos na virtualidade de uma cidade, em bytes, arquitetada. Mas contornar também é se aproximar, observar, submergir.

Na última cena do filme, Travis, após deixar (ou imaginar deixar - é o prazer que está aqui) Betsy (sua salvação/obsessão) em casa, continua a dirigir. De repente, os reflexos borrados da cidade surgem novamente diante de seus olhos. Ele então ajeita o retrovisor para se ver. A trilha sonora aterrorizante de Bernard Herman retorna. Bickle, assustado e confuso, se reconhece e sabe que sua psicose é um passageiro fiel.

Ele, como um “Homem da multidão”, reflete-se na cidade. Na contemporaneidade, apesar de nos exibirmos mais do que nunca, olhamos no retrovisor e, projetando-nos, vemos nós mesmos.


[1] SCHICKEL, Richard. Conversas com Scorsese. São Paulo: Casac Naify, 2012.

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Postado por Relivaldo Pinho
2/12/2016 às 23h54

 
Rio, ontem e hoje



No ontem, vielas e becos
Hoje, nas ruas e avenidas
De banhos de estercos,
A perdas banais de vidas.

População fina e ordeira
Se foi a ordem e a finura
Restam baderna e sujeira
Zumbis invés de criatura.

Todos temem tuas ruas
O medo deforma a face
A verdade diz: são tuas
A maldade é teu enlace.

Tenho dúvida desse dito
O homem te fez insana
Embora escute um grito
Há água nessa savana.

Plantemos as sementes
Para vermos germinar
São muitos os descrentes
Inversos! Hão te amar.

Enfrenta a dor profunda
Desperta dessa agonia
Rio, tua terra é fecunda
Põe a frente a harmonia.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
2/12/2016 às 15h55

 
Arrogância



Vesti-me de mim mesmo,
Sorri o sorriso que é meu,
Calcei-me com as palavras,
Meu falar emudeceu,
O luminar ofuscou-se
Em mim, a ira elevou-se,
De nós! Resto apenas eu.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
2/12/2016 às 15h38

 
Febre dos metais

Canetas
sismógrafos
e para-ráios

captam
os tremores
dos corpos
dos ventos
e da terra

Em facas
facões
espadas
e afins
é medida
pelos seus
respectivos
fios

quanto
mais afiada
mais alta
a febre

mais pro
fundo o
corte

No ponteiro
das bússulas
a obsessão
pelo seu
norte

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Postado por Metáforas do Zé
2/12/2016 às 08h34

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