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Domingo, 15/1/2017
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Abraço

Embora
intenso,
o relacionamento
humano é
muito frágil

Devagar
com o
andor, que
o santo
é de
barro

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Postado por Metáforas do Zé
15/1/2017 às 16h00

 
Paralamas do Sucesso: Novo álbum e shows em SP

Divulgação

Prestes a entrar em estúdio e gravar o primeiro álbum de inéditas da banda desde Brasil afora (2009), Os Paralamas do Sucesso fazem mini turnê desde a última quinta-feira (10) e vão até este sábado (14), no Sesc Pompéia.

Oportunidade única pra quem conseguiu comprar os 800 ingressos disponíveis por noite e que se esgotaram em poucas horas, que assistiram o show que será realizado na comedoria do espaço, onde se pode assistir aos shows em pé – não tão comum em se tratando de Sesc – e muito próximo da banda.

A informação de que o Power Trio brasileiro se organiza para entrar em estúdio foi veiculada no blog Notas Musicais do ótimo jornalista musical e xará Mauro Ferreira: Veja aqui.

O que se sabe, por enquanto, é a presença no álbum da música Sinais do Sim cantada em shows da turnê recente e que a banda pretende iniciar a temporada de shows no segundo semestre deste ano.

Sinais do sim

(Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)

Meu
Sei que o teu coração é meu
E a honra que te convenceu
De que o melhor está por vir
Sim
Se deixe levar por mim
Peço perdão por insistir
Mas se já chegamos até aqui
Você vai ver que um novo dia
Não parece tão ruim
Há muito tempo só se via
A poeira da dor
Nos sinais do sim
Não se afaste tanto dos seus sonhos
Sem ser ousado, eu te proponho
Relaxe, se deixe sonhar
Pois um dos encantos desta vida
É não ter peso nem medida
Pra restringir o imaginar
Você vai ver que um novo dia
Não parece tão ruim
Há muito tempo só se via
A poeira da dor


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Postado por Sobre as Artes, por Mauro Henrique
14/1/2017 às 19h06

 
Lô Borges ou a estreia 45 anos depois

Divulgação

Lô Borges, ao contrário do que os 65 anos, completados na última terça-feira (10), podem indicar, segue a carreira com ritmo admirável e com novidades.

Ano passado lançou CD do projeto em conjunto com Samuel Rosa, do Skank, - com músicas dos dois e parcerias inéditas -, DVD ao vivo do álbum, gravado no ano anterior em Belo Horizonte, além de vários shows da dupla e da sua carreira solo. E quando, poderia se imaginar, que o início deste ano do cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro seria de descanso, descobrimos que o pensamento trata-se de um engano.

E a novidade em questão diz respeito a um clássico. Explico: Lô inicia temporada do cultuado e icônico LP homônimo, de 1972, feito logo após ter dado lume, juntamente com o coletivo de Minas, ao mítico Clube da Esquina. Se você nunca ouviu falar do disco, talvez basta dizer que me refiro ao Disco do Tênis, chamado assim, por conta da capa, do fotógrafo Cafi, responsável pela capa do Clube também, que estampa o calçado usado do outrora primo de Lô que o ganhara depois de propor uma troca ao parente.

Divulgação

E qual seria o elemento novo de um disco gravado em 1972? Após gravar o Clube da Esquina com Milton, Beto Guedes, Novelli, Flávio Venturini, Toninho Horta, os letristas Fernando Brant, Ronaldo Bastos entre outros, Lô Borges, com recém completados 20 anos, recebeu a oportunidade de gravar um disco. O tempo era exíguo. Compunha pela manhã, o compositor e irmão Márcio Borges, era responsável pelas letras à tarde, as gravações e arranjos eram feitos durantes a noite.

Lançado o trabalho, que ao contrário da prática de trazer o rosto do artista, trazia um par de tênis usados de símbolo, o jovem mudou-se para a Vila de Arembepe, na Bahia, com objetivo de fugir dos holofotes e se desenvolver como compositor e, portanto, nunca estreou o show do LP.

Divulgação

A empreita de reconstituir a sonoridade do Tênis, partiu do compositor mineiro Pablo Castro, especialista neste tipo de trabalho. Ensaiou cerca de três meses com sua banda composta pelos jovens músicos Guilherme de Marco (violão, guitarra e local), Marcos Danilo (violão, guitarra, percussão e vocal), Alê Fonseca (teclados), Paulim Sartori (baixo, bandolim, percussão e vocal), D’Artganan Oliveira (bateria, percussão e vocal e apresenta de sexta (13) a domingo (15), no Sesc Vila Mariana, o Disco do Tênis com arranjos originais e ingressos esgotados há mais de uma semana.

No repertório, canções que vão do psicodélico ao experimental e forte lirismo como Não foi Nada, O Caçador, Aos Barões, Fio da Navalha, assim como seus clássicos Girassol da Cor do Seu Cabelo, O Trem Azul, Clube da Esquina, Paisagem da Janela, Para Lennon & McCartney e Nuvem Cigana. Grande oportunidade de ouvir, pela primeira vez ao vivo, essa estreia aos 45 anos!

Divulgação



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Postado por Sobre as Artes, por Mauro Henrique
14/1/2017 às 17h18

 
Águas abertas ao mito

Varjão das aves, porta sem aldrava
ou chave, em águas abertas ao mito
da moça sem racha ante o amor predito,
que ao plano das alturas se lançava.

Se nas lendas o rio tudo lava,
do que se foi algo fica inaudito
sob as libações no tempo de um rito,
à gestação do grão dentro da fava.

Corpo de pedra verde e ave florida,
garça de pétalas de flor de lima,
ao casulo essa estirpe renascida.

Mas na origem a tudo a vida anima
ao que narro, ao que ouvi e ao que não vi.
Borboletas nadando águas acima.


(Do livro de minha autoria "Roteiro de Mitavaí", que tem como temática mitos e lendas do Brasil interiorano, a partir do romance "Manuscrito Holandês", de autoria de Manuel Cavalcanti Proença)

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Postado por Blog da Mirian
14/1/2017 às 16h55

 
Arranha-céu

De janela
em janela

o céu
enche o
papo

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Postado por Metáforas do Zé
13/1/2017 às 19h56

 
Da população ao empoderamento de Brasília

Se nós nascemos humanos,
Por princípio somos iguais,
Não importa a cor da pele,
O caráter vale mais.
Cada um tem seu espaço,
Segure o seu pedaço
E não desista jamais.

Nos faltam oportunidades,
Porém a coragem não,
Bastaria que tivéssemos,
Livre acesso à educação,
Nossa casa, nosso lar,
Um local para trabalhar
E não haveria o ladrão.

Me parece que o Brasil,
De imensurável riqueza,
Vai sempre na contramão,
Protege o rico e a nobreza,
Mas quem produz é o pobre,
A este, chamo-o de nobre,
A elite, chamo-a pobreza.

Não se criem distorções,
Leis que não levam a nada,
Somos nós todos irmãos,
Nesta nação irmanada,
Brasil de todas as raças,
Socialmente se faça,
Do trabalho a caminhada.

É para nós brasileiros,
Que escrevo este tema,
Mostrando o que queremos,
Em forma de um poema,
Lembrando que a nossa gente,
Hoje está bem consciente,
Do nosso maior problema.

Os partidos e os políticos,
Corroem nossa estrutura,
Alguns do judiciário,
Não são anjos de candura,
Legislativo e executivo,
Hoje, à pátria são nocivos
Não queiram colher ternura.


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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
13/1/2017 às 16h57

 
Belém do Pará, ano um. 401.



À sombra dos urubus, Belém chega aos 401 anos. Foto: Maycon Nunes


Quão estranha e sofrida pode ser (ou é) uma cidade castigada pelo calor e pela chuva quase diariamente? Quão esperançosa é uma cidade que é capital de um estado que desde o hino já setencia: “teu destino é viver entre festas, do progresso, da paz e do amor”? Quão suja e abandonada é uma cidade com uma “infinidade de obras-sem-fim” e monturos de lixo, em que seus próprios habitantes e filhos não se intimidam e, em qualquer local e a qualquer momento, escarram grosso e raivosamente em dezenas de cusparadas destinadas ao solo citadino, amaldiçoando-o? Quão alegre e diversificada é uma cidade que na cultura, em que pese a gestão raquítica (pública e privada), possui uma produção rica, peculiar e instigante?
Após o quase apagado aniversário de 400 anos em 2016 (você lembra de algum grande evento na cidade no período? Uma grande reportagem? Algo que não fosse o clichê chato e insuportável de bolo-no-Ver-o-Peso-risos-e-olhares-famintos-e-baldes-com-bolos-cores-sabores-da-cidade-morena?), talvez seja hora de olhar para o passado "de relance" e, urgentemente, projetar e executar um/ no futuro ações minimamente concretas que ajudem a melhorar esta cidade. Belém pode começar então uma nova trajetória. Vive o 'ano um'. O 401.

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Longe de clichês midiáticos e turísticos, este texto tem o propósito de incomodar, ainda que seu alcance, eu sei, seja mínimo. Mesmo assim, é feito com uma certeza: Belém precisa de seus filhos aqui nascidos e os calorosamente adotados. Cada um, ao seu modo, vive a experiência de viver e estar aqui na cidade, na Amazônia.
Para alguma mudança é preciso pensar esta cidade, conhecê-la, perder-se nela (Benjamin), experienciá-la em seus diversos aspectos. Levando tudo isto em conta é que nos últimos dias entrevistei doze pessoas, mesmo número da data de aniversário da capital paraense, para comentarem sobre o futuro da cidade. Credos, cores, profissões, idades, origens diferentes e muitas outras características misturam-se em um caleidoscópio que possui um único desejo que, no final, é um sonho: a melhoria de Belém.

CONTEXTOS
Esta melhoria, sabemos, é (ou deveria ser...) pensada (e não é executada) há anos, décadas e, talvez, séculos. Para a professora e pesquisadora Larissa Leal, “como qualquer cidade nascida no Brasil do século XVI, Belém tem vários problemas de infraestrutura urbana que precisam, acima de tudo, de muita vontade política para resolver. Saneamento é o maior destes problemas pra mim, porque ele tem a ver com a própria dignidade humana, basta andar pelos bairros à beira do rio Guamá para ver isso num cenário mais grave. Por isso, esse é o passo 1 para elevar a qualidade de vida na nossa cidade nesse recomeço, sua maior urgência”, destaca. Mestra em Letras e Linguística, Larissa é professora de Língua e Literatura do Instituto Federal Goiano - Campus Posse e mora em Goiás desde 2012, mas sempre volta à terra natal.


Área de palafitas em Belém, uma grande periferia. Foto: Daniel Leite. A foto integra o acervo do projeto de pesquisa Fisionomia Belém.

A opinião da docente se aproxima de outra professora: Sabine Reiter, alemã, professora desde 2013 na Universidade Federal do Pará (UFPA). Diz Sabine que “da minha perspectiva de ‘fora’, acho que a cidade precisa com mais urgência um sistema de saneamento para todos os bairros. Também acho que seria bom pensar em um bom ‘clima urbano’, do tipo como foi implementado pelo Senador Lemos na Belle Époque: mais árvores nas ruas para dar sombra e ar mais fresco em toda a cidade (e não apenas nos bairros centrais). O trânsito também precisaria de reajustes – atualmente são muitos carros para uma cidade que foi construída para uma população bem menor”, explica.
O trânsito também preocupa outro estrangeiro que fez de Belém sua segunda casa. Para o antropólogo colombiano Diego Léon Blanco, as “angústias” metropolitanas possuem uma explicação maior, mais complexa e universal da que vemos e vivemos diariamente nas vias da capital: “os prefeitos estão sem novas ideias”, decreta.
“Se nesta época de redes sociais, a conexão imediata e simultânea é a natureza da nossa cultura, a cotidianidade dos deslocamento em carros e ônibus está fora dessas simultaneidades. Passamos horas e horas nas ruas, os carros andam até 200 quilômetros por hora, mas no tráfego das 18h são tartarugas. Ainda bem que o tempo consumido no tédio do tráfego aproveitamos no mundo do nosso celular. O que ainda não se resolve nas ruas e nas estradas pelo tempo gasto, se resolve no não tempo sem fio de nossos móveis”, explica Diego.


A imagem é em um ônibus em um dia qualquer de Belém, mas poderia ser em outra metrópole.Foto: Maycon Nunes

O colombiano, que no último ano residiu na Cidade do México, vai além: “a mobilidade em Belém é um caos em crescimento. Então, como resolver? Quem vai deixar de usar carro? Em grandes cidades como Bogotá ou Cidade de México muitas pessoas usam carros de 4, 5 metros de comprimento para uma pessoa só! Um ser humano na estrada de uma grande cidade ocupa todo esse espaço! Em outras cidades do mundo estão resolvendo o assunto com pequenos carros elétricos, metrôs, ciclovias, ideias para pensar a mobilidade na cidade de outra maneira”, sugere.
Falar de trânsito onde se sonha em um dia ter acesso a um minguado e já ultrapassado “sistema” de Bus Rapid Transit (BRT), tais iniciativas são impensáveis. Para aumentar o desconforto, basta lembrar que em capitais menores e sem o “legado da Copa”, outras iniciativas bem mais ousadas já foram tentadas e já existem há anos, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Maceió, cidade cuja geografia e organização em suas áreas afastadas das praias se assemelha e recorda bastante a estrutura da Cidade Nova, em Ananindeua, região metropolitana.

POTENCIALIDADES DEVE(RIA)M SER EXPLORADAS
Na cidade que ignora as outras mais próximas e esquece de si mesma, nem ao menos a cultura e o turismo de fato são bem explorados e/ou servem de grande e constante consolo. Uma rápida pesquisa no Google Trends mostra que nos últimos treze anos, notícias, imagens e dados sobre Manaus foram bem mais buscados que Belém. O que é lógico pelo (novamente) tal “efeito Copa”, pode ferir o "ego paraora" pela observação do caráter de inércia a que muitas vezes estamos submetidos e que alimentamos... Nesse sentido, a gestão cultural insípida – mas que começa a dar sinais de maior organização e crescimento – talvez mais atrapalhe que colabore.


Segundo o Google Trends, desde 2004 até 12 de janeiro de 2017, Manaus é muito mais "buscada" que Belém. Lembre-se: no site você pesquisa, busca, o que tem interesse, precisa saber, quer conhecer mais... Imagem: Pesquisa de Enderson Oliveira/ Reprodução Google Trends

Para o diretor e roteirista Fernando Segtowick, “basicamente o que se tem falado de positivo sobre Belém é a sua cultura, mas, infelizmente, os espaços voltados a ela estão situados, na sua grande maioria, nos bairros centrais da cidade. Se pudesse dar uma sugestão é a criação e o fomento de espaços/iniciativas culturais na periferia de Belém. Quem sabe um circuito de salas de cinemas populares como foi feito pela Spcine em São Paulo? Sem dúvida, na realidade atual da cidade parece um sonho, mas que poderia começar pelo incentivo aos cineclubes nesse bairros. É triste que se tenham poucas salas de cinema na cidade, e, a grande maioria, voltada unicamente ao cinema comercial”, exemplifica.
A ousadia da ideia de Fernando não é aleatória e possui certa lógica, considerando a proximidade e atenção do produtor sobre gestão. Com trajetória peculiar e importante que vai além dos clichês de Belém e Amazônia, Fernando é sócio da produtora multiplataforma MARAHU. Recentemente dirigiu as séries "Eu Moro Aqui”, vencedora do 1o Edital Cultura de Audiovisual e "Diz Aí Amazônida", exibida no Canal Futura, e indicada ao Prêmio TAL como umas melhores séries de relevância social da América Latina. Em 2017, vai lançar dois curta-metragens: o documentário “O Caminho das Pedras" e a ficção "Canção do Amor Perfeito".



Gestão, gestão, gestão... Talvez a falta dela seja o grande problema do corolário dos demais que aqui são listados e que você já deve ter lembrado ou observado ao olhar pela janela ou outro local que tenha acesso agora.
É necessário ter pensamento estratégico e gestão desde coisas “pequenas”, como cuidar deste blog e página no Facebook; bem maiores como criar, inovar e manter espaços/lojas/casas de show (observemos, em especial nos bairros do Umarizal e do Reduto, a quantidade de locais que abrem, "tornam-se sucesso" e, em alguns meses, fecham as portas, sendo prosseguidos por outros lugares que seguirão no mesmo ciclo) até chegar de fato na necessidade de uma gestão focada literalmente na política (tal qual o conceito aristotélico), pública, atualizada e citadina.
Neste sentido, para Tienay Costa, cientista política e professora, “nossa cidade tem tantas potencialidades, porém precisamos urgentemente de uma gestão pública mais comprometida e responsável, que possa priorizar não apenas o turismo ou o crescimento econômico, mas também a promoção de oportunidades, a valorização cultural, a segurança e a democratização do espaço público. Se eu pudesse dar um conselho a Belém, diria para sermos mais exigentes com nossos representantes e menos individualistas do ponto de vista político. Para os 401 anos e diante, desejo mais senso de coletividade, mais consciência e criticidade”, define.
Indo além, a publicitária, professora e candomblecista Thiane Neves Barros, comenta que "Belém precisa urgentemente garantir direitos à sua população. Direito ao transporte acessível e de qualidade, direito à moradia e à saúde em toda a sua extensão, gerar oportunidades de crescimento horizontal tanto na cidade quanto nas ilhas. Nesse ano 01, precisamos recomeçar olhando para as pessoas, pensar na Belém que queremos, planejar e estabelecer metas para uma cidade que tem todo o potencial para ser mais harmônica. Belém merece um pacote de políticas públicas que precisa ir além das gestões partidárias. Desejo que a população de Belém seja menos violentada pelas balas de um Estado tão opressor e pela má gestão política, que as periferias não sejam mais o palco de tantas chacinas, que a juventude negra tenha as mesmas oportunidades que as juventudes brancas e asiáticas. Desejo menos cárcere, menos linchamento, menos punitivismo".



É ainda Thiane que complementa: "que os Povos Tradicionais de Matriz Africana (candomblé, umbanda, pena e maracá, mina, Daime, e todas as demais) tenham as mesmas garantias que o poder público municipal possibilita às demais religiosidades, que as populações indígenas sejam respeitadas nessa cidade e que as gestões sejam cada vez menos racistas. Não existe um bom futuro para Belém, se o racismo continuar matando tanto por aqui. Desejo também menos feminicídio, mais atenção primária de combate à violência contra as mulheres. Temos como pensar em um recomeço com equilíbrio, equidade e garantia de direitos aos povos e suas tradições que constituem a população dessa cidade que é a minha cidade. Eu amo Belém e sonho com outros 400 anos para nós", afirma.
Segundo a mesma linha de pensamentos e desejos, o ator e diretor teatral Caled Garcês, por exemplo, deseja que Belém tenha “muita segurança e cuidado que acolhe tantos corações, ritmos, belezas naturais, crenças e fé. Que as pessoas possam olhar com mais carinho e zelo pra esse lugar que é lindo na sua essência mas que por falta de cuidado, acaba refletindo uma realidade que não é a que esperamos: a do abandono. Eu desejo que a cidade morena, terra das mangueiras, do Círio e tacacá seja cuidada da maneira que merece, com amor, carinho e respeito para que a sua beleza resplandeça não somente para os que aqui habitam, mas para o mundo. Eu desejo mudanças para ti, Terra do açaí, e que os frutos de todos esses cuidados te tornem a Belém Morena onde todos amem e queiram estar", enfatiza.


Com pouco mais de 1,5 milhões de habitantes, o crescimento de Belém é completamente desordenado.Foto: Cezar Magalhães

LUGARES (DE FALA)
Repleta de imaginários e lugares de fala como “nada aqui presta”; “ruim com fulano, pior sem ele”; “no tempo do Barata...”; “na época da Borracha...”, talvez (a população de) Belém seja marcada pela inércia. Sejamos sinceros e atenciosos: reclamamos muito, fazemos pouco (e não raramente ainda duvidamos/ criticamos quem faz), cansamos rapidamente. Esperar uma solução dos céus é mais cômodo e mais simples. Ad(Mirar) outros locais é melhor ainda. O “problema” é que tal admiração muitas vezes também parte de imaginários (nem sempre "reais") como “lugar com mais oportunidades”, “cidade maravilhosa”, “lá pelo menos tem praia”, “vou poder usar roupa de frio” e assim por diante. Neste contexto, uma região torna-se mais especial: o Sudeste. O El Dorado da Amazônia contemporânea. A Pasárgada pós-moderna onde se-trampando-tudo-dá.
Sair de Belém e exilar-se e/ou tentar crescer em outra cidade é errado? Claro que não. A atitude ajuda de fato a capital paraense? Provavelmente não, o que não significa que é algo condenável, obviamente. Pelo contrário: só se cresce em contato com o outro, com as trocas.
“Como leitora do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e professora visitante na UFPA desejo às universidades da cidade que se abram mais, que recebam mais estudantes e professores de fora e mandem os seus docentes e estudantes para outros lugares, e que aprendam línguas estrangeiras (não só o inglês), porque cada nova língua pode dar uma nova visão ao mundo e possibilita um conhecimento e entendimento melhor do "outro" e um diálogo entre pessoas com perspectivas diversas”, destacou Sabine Reiter, que é linguista e entre 2001 e 2006 trabalhou como pesquisadora em um projeto de cooperação alemão-brasileiro no Museu Paraense Emilio Goeldi na área de documentação de línguas indígenas.
Indo além, esse imaginário-devoção por outras capitais pode causar outros tipos de “danos” à capital paraense. Neste sentido, a editora de vídeos Adrianna Oliveira aconselha: “Invista nos seus. Não pense que o que vem de fora sempre é melhor. Talvez, dessa maneira, Belém não seja na nossa memória, apenas a cidade da nossa infância, um ambiente que não nos pertence mais porque tivemos, quase que obrigatoriamente, tentar a vida em outro lugar. Assim, eu acredito que um dia, talvez, ela seja ovacionada como um lugar que te pede, mas que te dá de volta também”.


A cidade se reflete em uma poça qualquer de água e lama... Foto: Angelo Cavalcante. A foto integra o acervo do projeto de pesquisa Fisionomia Belém.

Adrianna afirma ainda que “Eu tenho a impressão de que quase tudo fora do eixo sudeste, centro oeste e sul é mais difícil. Frete grátis para todo o Brasil, exceto norte e nordeste. Nortista é nordestino no sudeste, castanha do Pará agora é castanha do Brasil. O que é nosso, no fim das contas acaba sendo deles também, mas as oportunidades deles quase nunca são nossas. Então o que eu desejo pra gente é orgulho, daqueles bons, porque a gente remanesceu a muitas dificuldades e ainda assim continuamos a produzir. Desejo também que trabalhadores se ajudem, que a gente incentive os profissionais daqui ao invés de acreditar mais uma vez que o que vem de fora é melhor”, destaca.
Curioso é perceber que talvez pessoas "de fora" por vezes vaorizem mais a cidade que nós mesmos. Para a colombiana Ana Patricia Cacua Gélvez, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários da UFPA, a população de Belém em geral é "muito acolhedora, são pessoas muito boas, que ajudam muito os estrangeiros", enfatiza. Ainda assim, não deixa de lado os problemas estruturais que a cidade possui, em especial o lixo e a insegurança. "Meu desejo é que Belém fosse muito mais limpa, tem muito lixo nas ruas. A solução com o problema da limpeza pede urgência", afirma.
"À medida que a gente passa mais tempo na cidade a gente aprende a ter mais carinho pela cidade, muito mais amor, como se fosse parte nossa, por isso torço que tenha mais índices de emprego, que as pessoas fiquem bem e que seja uma cidade mais segura e especialmente mais limpa", deseja a pesquisadora.

A "CIDADE POLIFÔNICA" E SUAS PERSPECTIVAS
Para tal fazer emergir tal orgulho, talvez seja necessário fazer uma força-tarefa em áreas/ “instituições” como na educação, nas famílias e nas mídias. Mais ainda: deveria vir com a proximidade da história para (re)conhecer de fato Belém. Estranhá-la. Compreendê-la. Aceitá-la. Sem resignação, mas sim com a paciência de quem sonha em fazer um grande amor crescer e melhorar ao seu lado.
As ações conjuntas são sugeridas por Sandro Ruggeri Dulcet, espanhol nascido em Barcelona, em 1962. Formado em Arte Dramática com especialidade em cenografia teatral, mora em Belém desde 1994. Atualmente Sandro dirige a empresa de tradução e interpretação Humana Com & Trad e o Instituto Humana, que atua na área da arte educação e em projetos sociais.
Para Sandro, deve haver uma intervenção e modificações levando em conta:
a) Cidade como espaço de convivência; a relação entre o usuário do espaço urbano e o próprio espaço físico: inúmeros exemplos de falta de percepção por parte dos cidadãos de que esse espaço é de uso partilhado, onde os meus direitos têm que entrar em sintonia com os dos outros. A falta de percepção deveria ser corrigida pelo poder público, que falha na aplicação do Código de Postura. A solução passa por uma intervenção maior e mais harmoniosa de todos os participantes. Essa intervenção envolve aspectos pontuais como a limpeza, o comércio informal, e mais amplos como a construção onde o antigo e o moderno entrem num diálogo mais proveitoso.


Natureza e urbanidade se encontram e dialogam, pacificamente ou não, diariamente na capital paraense. Foto: Maycon Nunes

b) Cidade como espaço de educação ambiental: Trata-se de uma cidade na Amazônia, água e floresta deveriam ser os protagonistas, mais do que asfalto e prédios. Por que não fazer de cada canteiro um lugar para que as diferentes espécies locais sejam conhecidas, com informações detalhadas sobre a história biológica da Região? Isso passa por um projeto de arborização que teria como objetivo, também, fazer com que o pedestre pudesse andar nas ruas ao abrigo do sol equatorial e da chuva torrencial.
c) Cidade como espaço de luz: No mesmo sentido, aproveitar tudo aquilo que nos lembre que esta cidade não é uma cidade implantada, mas tem as suas peculiaridades, o seu jeito pessoal e intransferível, e o seu urbanismo e arquitetura deveriam refletir isso, sem cair num regionalismo folclórico e bairrismo redutor. Nesse sentido, as construções e o espaço urbano deveriam levar em consideração o clima, a iluminação, o regime das chuvas na hora de ser projetados e na sua realização.
Metas bonitas, quiçá utópicas, mas que precisariam de ações e pessoas de fato interessadas em ajudar a capital. E muito mais além. Para o doutor em Ciências Sociais, pesquisador, professor e escritor Relivaldo Pinho, “os problemas da cidade continuam os mesmos de algumas décadas e eles não serão resolvidos por jargões como ‘vontade política’, ‘determinação’, ‘coragem pra fazer’ e coisas do gênero. Belém precisa enfrentar a crise de sua urbanidade com conhecimento, planejamento, legislação mais eficiente. Se isso é um aspecto decisivo, isso não garante uma mudança do espírito de uma cidade que vem se deteriorando”, explica.
“Inchada, desordenada, violenta, Belém precisará de muito tempo para mudar esse espírito do tempo que a vem marcando e gravando em seus habitantes a sensação de suportar sobreviver na cidade e não de viver como uma experiência cotidiana. O cotidiano belenense, com exceção da sua imagem veiculada com saudosismo e uma valorização insustentável de uma identidade romantizada, sobrevive precariamente”, decreta o autor de "Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia" (Ed.ufpa.) e diretor, junto com Yasmin Pires, do documentário Fisionomia Belém.



Como se nota, neste ciclo de ações e percepções, práticas e modos de compreensão de nenhum modo se distanciam. Pelo contrário. É o próprio Relivaldo que afirma que “espero, sinceramente, que a cidade sofra uma modificação nesses aspectos estruturais. E que essa modificação atinja, posteriormente, a subjetividade de seus habitantes. Belém só enfrentará esse desafio se tiver o retorno em ações estruturantes e se seus habitantes conseguirem assimilar um sentido de experiência que funde, minimamente, um sentido de pertencimento”.
De qualquer modo, o que sempre segue presente é a necessidade imperativa de que a mudança de fato, depende de cada um de nós. Clichê? Sim. Bastante. Porém, é necessário sim compreender o papel de cada um e desenvolvê-lo da melhor forma possível.
Por fim, para Marcelo Vieira, jornalista especializado em Sustentabilidade e professor, mora no Rio de Janeiro desde 2010, que mas mantém laços firmes com a terra natal, “Belém precisa mais do que nunca dos belenenses, tanto os nascidos aqui como os que a adotaram como cidade do coração, os que estão perto e os que estão longe, como é o meu caso". E isto porque é necessário "pensar a cidade com os olhos no futuro, no crescimento sustentado, na inclusão e no respeito, eliminando o oportunismo voltado a favorecer um ou outro grupo na luta pelo domínio político e econômico. Precisamos aprender a ser os cidadãos da Belém dos nossos sonhos - é o caminho para que ela se torne realidade”, finaliza.

Feliz chance de nova vida, Belém. Feliz ano um, 401.

Por Enderson Oliveira

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Postado por Blog de Enderson Oliveira
12/1/2017 às 18h12

 
Na trilha de um corredor

Hoje é segunda-feira. Ainda estou “curtindo” as dores da corrida de sábado. Foram as 3 horas e 43 minutos mais longos da minha vida.

Quando me inscrevi para participar dos 23 km da primeira Ultra Trail Rota das Águas, realizada em Gaspar-SC, apesar de já ter participado de outras provas que julgava semelhantes, eu não tinha a menor noção do que me aguardava.

Éramos uns 150 corredores fazendo esse percurso (os outros faziam percursos de 8 ou de 50 km) e, logo após a largada, numa estrada de terra, entramos em fila indiana numa trilha da mata, que, apesar de estreita, ainda permitia que se fizessem ultrapassagens em vários pontos sem a necessidade de “empurrar” o colega à sua frente no mato.

A partir desse momento, me senti numa montanha-russa, ora subindo, ora descendo, ora fazendo curvas fechadas, ora “freando”, para não me perder nas descidas das intermináveis trilhas.

Corri “às cegas” nos primeiros quilômetros, pois meu Garmim (relógio com GPS) não estava localizando o satélite, ou seja, eu não sabia qual era o meu ritmo, tampouco o percurso que já havia percorrido e, por ironia do destino, foi esse pequeno problema que me ajudou a completar essa prova.

O gosto por corridas em trilhas ainda é muito recente em minha vida de corredor e, apesar de todo o prazer que hoje elas me proporcionam, há sempre um lado negro e sabotador da nossa mente com que temos que aprender a lidar. São aqueles momentos de dificuldades em que você pensa que poderia estar no conforto de sua casa ou em qualquer outro lugar, menos ali, numa trilha no meio do mato!

Como até então eu só havia participado de trilhas no litoral catarinense (Guarda do Embaú, Praia do Rosa, Lagoa da Conceição), lugares lindos, com vistas paradisíacas, eu não estava preparado para correr num local que, digamos, não oferecia esse bônus da vista de “perder o fôlego”, ou de correr à beira-mar, com uma brisa marinha me acariciando o rosto.

Não, definitivamente, durante esses 23 km de corrida, caminhada e quase rastejamento barranco acima, o que eu enxergava era somente mato, mato, e... Muito mato! É claro que, para os olhos de um botânico, por exemplo, talvez houvesse muitas espécies raras e maravilhosas de plantas a serem contempladas com um prazer idêntico ao que eu sentia quando corria nas paisagens de cartões postais das trilhas do litoral. Mas, infelizmente, não era o tipo de beleza que eu sequer imaginava que pudesse existir naquele momento e lugar.

Eu reclamo das trilhas sem paisagens, mas, paradoxalmente, acabava sentindo saudades delas nos pequenos trechos de terra batida, quando saía do mato, onde a poeira e a força inclemente do sol das 10 horas da manhã me faziam lembrar e, até mesmo, desejar voltar ao abafado, mas gostoso abraço úmido das árvores que me protegiam daquela bola de fogo.

Apesar das dificuldades impostas por todo o trajeto, as primeiras duas horas de corrida foram relativamente agradáveis. Eu vinha correndo num bom ritmo e ainda estava inteiro. Mas, após essas duas horas, eu comecei a ficar um pouco chateado, entediado eu diria, pois a falta do Garmim, no início da corrida (agora ele já estava funcionando) me deixara sem norte, pois eu não sabia qual a distância que já havia percorrido e, principalmente, qual a distância para terminar a minha saga.

E continuei correndo, caminhando, rastejando, quando, como num passe de mágica, avistei a linha de chegada. Naquele momento, eu já estava me arrastando há mais de 3 horas, e não acreditei que a minha aventura havia terminado. E, como sempre, aquela força vinda das entranhas do meu corpo me atingiu como um choque de 220 volts para me acordar para a realidade da chegada. Meu sorriso se abriu espontaneamente para as pessoas que ali estavam, e consegui me reerguer para o tímido, mas triunfante sprint final...

Logo à frente, eu vi uma mangueira d`água trazendo aquele precioso líquido gelado do alto do morro, fazendo às vezes de chuveiro, mas não parei, pois antes eu queria cruzar a linha de chegada, que, na minha doce inocência, era somente alguns metros à minha frente... Ledo engano!

Logo após aquele verdadeiro oásis no meio do deserto de árvores, eis que um staff (pessoa ligada à organização da corrida) sinaliza-me para continuar e adentrar novamente na trilha da mata. Pensei que era uma brincadeira de mau gosto (pois a chegada era para o outro lado), mas, pela insistência daquele mercador de más notícias, tive que seguir em frente, totalmente desanimado, destruído. O sorriso e a força que estavam comigo um segundo atrás pareciam lembranças de uma infância remota. Será que era verdade?! Sim, era verdade...

E foi aí que eu entendi o porquê de meu Garmim não ter funcionado logo no início da prova, pois, se eu tivesse a mínima noção de que ainda faltavam quase 3 km de trilhas, eu teria desistido de completá-las, tamanho era o meu desgaste, tanto físico quanto emocional.

Eu praticamente me arrastei nesses últimos 3 km de subidas íngremes, tendo que administrar um conflito de interesses totalmente divergentes entre o meu corpo (que queria parar devido à exaustão) e o meu cérebro (que insistia em encontrar o lado positivo daquele momento).

Corri praticamente sozinho durante todo esse trajeto, tendo como companhia somente a “minha mata”, que me consolava à sua maneira, ou melhor, à maneira que “eu” enxergava (me protegendo do sol).

Eu estava tão só que, em determinado momento, me peguei falando sozinho, criando novas estratégias para não pensar na distância que ainda faltava para concluir a prova. E, de fato, de alguma forma, acabei me desligando totalmente e me concentrei somente em seguir em frente, correndo nas descidas e me arrastando nas subidas.

Foi aí que avistei um túnel e me lembrei de que, em algum momento, alguém da organização havia comentado sobre essa passagem da trilha para dentro do parque aquático.

Agora sim, eu já podia comemorar, pois ninguém mais iria impedir a minha chegada e, numa rápida reunião interna, selei o acordo de paz entre meu cérebro inacessível e meu corpo reclamão, e pude saborear em toda a sua plenitude aquele momento tão desejado, cruzando a linha de chegada com a deliciosa sensação de que tudo valera a pena...De que viver vale a pena! E, dessa vez, além do banquete (água e frutas) à minha espera, fui agraciado com um revigorante banho de mangueira, com aquela água cristalina e imaculada, vinda diretamente do ventre da mata, inundando meu corpo e minha alma com toda energia da natureza.

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Postado por Blog de Isaac Rincaweski
12/1/2017 às 08h04

 
Entropias

Diante de um
mundo inflado
de significados

perde-se
por completo
o sentido

Cada gesto
milimétrica-
mente
codificado

Nenhum vão
desimpedido

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Postado por Metáforas do Zé
11/1/2017 às 10h17

 
Sigmund Freud, neuroses e ciúme em destaque



Sigmund Freud em seu escritório em Viena, 1937. Foto feita pela Princesa Eugenie de Greece, filha de Marie Bonaparte. Photo by Bourgeron Collection/RDA/Hulton Archive/Getty Images.


Na próxima terça-feira (10) terá início em Belém do Pará o “Ciclo Leituras de Freud”, no centro de Estudos Psicanalíticos do Pará (EPA), de 19h às 21h. O ciclo tem a finalidade introduzir, continuar ou aprofundar estudos em psicanálise, a partir de textos de Sigmund Freud, lidos no original alemão.
O ciclo será conduzido por Ernani Chaves, professor titular da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA), importante estudioso brasileiro da obra de Freud e tradutor do volume de ensaios sobre Estética, publicados pela Editora Autêntica.
“Freud é considerado um pensador necessário e indispensável para problematizar questões fundamentais do nosso tempo. Nesse sentido, não se trata apenas de uma leitura clínica de Freud, mas também de uma leitura do social por meio de Freud”, explica Ernani.

Veja também: Das praças das cidades às dos shoppings: uma conversa com Ernani Chaves

O primeiro texto analisado é o ensaio “Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e na homossexualidade”. Na obra é discutido não somente o aspecto clínico, mas também seu alcance social, na medida em que ele foi reapropriado por outros autores no interior da discussão da gênese do preconceito e dos processos de exclusão. Ao discernir três tipos de ciúme, o “normal”, o “projetivo” e o “delirante”, Freud abre um leque de perspectivas interessantes para pensarmos alguns aspectos da violência contra o outro atribuída ao ciúme.
Ainda de acordo com Ernani, "o curso discutirá como a massificação das formas de controle e vigilância por meio das novas tecnologias se conectam às formas delirantes ou projetivas do ciúme, cujas consequências podem ser trágicas", finaliza.

O MINISTRANTE
Ernani Chaves é doutor em Filosofia. Realizou estágios de pesquisa no exterior na Alemanha e na França. Possui pós-doutorados na Universidade Técnica de Berlim (1998) e na Universidade de Weimar (2003).

Veja ainda: Palestra “Walter Benjamin e a Fotografia de Cidades”, de Ernani Chaves, está disponível no Youtube

Foi pesquisador Associado na Universidade Técnica de Berlim (janeiro e fevereiro de 2013), pesquisador sênior na École Normale Superieure de Paris, de março a junho de 2015. Autor de livros e vários artigos nacionais e internacionais. Publicou recentemente, pela Editora Autêntica, uma tradução de textos de Freud sobre Estética.

SERVIÇO
Ciclo “Leituras de Freud”, com Ernani Chaves
Onde? Estudos Psicanalíticos do Pará (EPA), localizada no Ed. Village Boulevard (Av. Senador Lemos, 435, sala 301, Umarizal, Belém)
Quando? Terças de janeiro (10, 17, 24 e 31), de 19h às 21h
Inscrições: R$180,00.
Mais informações: (91)99982-2582/ (91)3085-2010/ epa@epapsicanalise.com.br


Por Enderson Oliveira

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Postado por Blog de Enderson Oliveira
9/1/2017 às 09h21

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