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Quarta-feira, 17/1/2018
Digestivo Blogs
Blogueiros

 
Sorvedouro

Quando me
absorve, o

silêncio é
fértil como
as ondas
que fervem
na areia,

em cujos
poros
transpiram
hieróglifos
incandescentes

O éter
se esponja
e o
corpo
se
desfaz

Não sei
se eu
absorvo

o silêncio

ou, se
por ele
sou
absorvido

A
absorvente
natureza
dos
espongilídeos...

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Postado por Metáforas do Zé
17/1/2018 às 22h33

 
Reter ou não reter

Se
exaurindo

é que
a
semente

se
ramifica

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Postado por Metáforas do Zé
17/1/2018 às 20h02

 
O Peregrino

A criatura coberta com um casaco esfarrapado, uma trouxa de pano passando pelo ombro e um galho seco, seguro pela mão direita a guisa de cajado, provocou desconfiança e medo em tantos quantos a viram chegando pela principal rua da vila

Em poucos minutos, as crianças foram recolhidas, os velhos se aboletaram nas janelas , as mulheres procuraram esconder-se e os homens, divididos em valentões, comuns e covardes, ficaram pelas poucas esquinas e portas dos comércios, fazendo poses e tentando mostrar alguma determinação e hostilidade ao andarilho.
BR> Durou pouco aquele medo todo. A porta da igreja, aberta, reverteu toda a aflição em curiosidade e simpatia.
O estranho localizou a casa divina e, caminhando sem fixar os olhos em ninguém, caminhou diretamente para la.
BR> O trajeto não excedeu os 10 minutos, durante os quais a conversa no barbeiro de 2 cadeiras, uma para o dono e a outra para um segundo figaro que nunca chegou e sempre ficou vazia, mudou imediatamente. De assuntos gerais sobre colheitas, futebol, e incorreções entre uma senhora e seu matrimonio compartilhado com o dono da farmácia, para o estupor da chegada de um invasor. Pior, um miserável.

Logo na cidade orgulhosa pela ausência de mendigos e de pedintes.

Aquilo era insuportável. Se o sujeito estivesse pensando em ficar por ali, ah, seria varrido de alguma forma, para outro lugar. Para a próxima vila, para a beira da rodovia federal, para longe, bem longe.

A conversa no bar, tambem, mudou para o mesmo objetivo: impedir a permanência daquele nojo ambulante, daquele vagabundo sujo e maltrapilho mais do que o tempo necessário para um copo d’agua. Ali não iria ficar nem meia hora, bradava o filho de um tradicional morador, proprietário de uma fazendinha, na verdade, um sitio, bem pertinho da cidade.
O rapaz, grandão e falastrão, era visto como bom partido pelas solteiras, e pouco apreciado pelos pais das mesmas, por sua fama de violento e pretensioso.
Pudera, era um dos riquinhos, se e que ter duas dúzias de vacas leiteiras em produção, algumas parcelas em lavoura, pasto, pomar, transforma alguém em rico. Bem, naquele lugar, era.

Ao seu comentário irado, somaram-se outros.
Os amigos do falador, lavradores temporários esperando alguma oportunidade, enfim, velhos tão ou mais vagabundos que o desconhecido, foram acrescentando detalhes ao melhor modo de expulsar o intruso, caso ele manifestasse, de alguma forma, a vontade de permanecer na vila.

Os absurdos verbalizados, nem de longe pareciam sair da boca dos fervorosos cristãos de todo domingo, dos piedosos e solidários cidadãos que se reuniam, rapidamente, para desatolar a vaca de algum vizinho, fazer uma visita ao mais recente candidato a moribundo, enfim, gente que sempre procurou mostrar o arrependimento de qualquer eventual pecado, a caridade, a união pelas boas ações, tudo em conformidade aos sermões e palestras proferidas pelo vigário.

O Andarilho, sem claudicar, ou tremer, caminhou pela rua, fora das calçadas, seguindo em direção a igreja. Parou diante da porta, trocou o cajado de mão, persignou-se e entrou, caminhando ate a primeira fila de bancos. Ainda apoiado no cajado, ajoelhou-se, voltou a persignar-se moveu a cabeça para cima, e fixou os olhos no crucifixo centenário, começando a murmurar uma oração.

O pessoal do bar e do barbeiro chegou e ficou olhando, pelo lado de fora da igrejinha , acompanhando a atitude e movimentação do maltrapilho.
Poucos instantes depois, algumas velhotas, outras nem tanto, uma ou outra criança, foram se ajuntando aos que já estavam na porta, observando tudo.

A voz do homem era audível, mas as palavras incompreensíveis. O falatório estava na altura exata de ser percebido, mas não compreendido.

A curiosidade do povo, agora quase toda a vila, era enorme.

Alguém lembrou de chamar o padre. Não foi possível. Tinha saído cedo e a igreja estava por conta de uma das dedicadas senhoras da congregação. Escondida na sacristia atrás do altar, escutava e olhava por uma fresta, o que aquele mendigo estava fazendo em sua igreja, limpinha, varrida e espanada. Que angustia.

Não entendia o que ele dizia, mas via bem a sua cara barbuda, cavada e calma. Aos poucos simpatizou com a figura. Parecia um peregrino.
Sim! Um peregrino, rezando em latim. Um homem santo, alguém que não dava valor a coisas materiais e tinha um modo próprio de adorar ao Senhor.

Tão logo entendeu tratar-se de um peregrino, saiu pela porta de trás da igreja e foi contar a novidade as amigas. Ainda não sabia da comoção em toda cidade com a chegada do estranho. Logo que deu a volta na construção santa, percebeu o enorme aglomerado de gente. Aproximou-se e, em voz baixa, pediu silencio para não atrapalhar o peregrino.

-Peregrino? Como assim?

A piedosa congregada, foi recuando e trazendo consigo a populaça, reunida na porta de sua linda igreja, varrida e espanada com fervor.

-Ele esta rezando em latim. Que nem o papa! Ele olha pra deus, e parece que fala com ele!

-Mas, como e possível, um mendigo roto, com uma trouxa nas costas ser um peregrino, comentou um dos mais céticos e menos assíduos nas missas.

-E um peregrino sim! Eu conheço! Respondeu a piedosa,cuidadora da igreja.
-E sim! Algumas outras congregadas começaram a repetir, em voz mais alta, chamando a atenção do pessoal mais próximo a porta.

O contestador calou-se.
Num passe de mágica, o maldito, o miserável, o imundo, o invasor, fora transformado em fiel penitente.

O melhor estava por vir.

A cidade aglomerada na porta da igreja, foi entrando com cuidado, e se ajeitando nos bancos. Primeiro no fundo ate lotar, completamente, inclusive nas laterais como acontecia todos os domingos, deixando livre, apenas, o banco do peregrino, que permanecia orando, olhando para a imagem, parecendo desconhecer o que estava se passando.

Nem meia hora após sua chegada, e a vila quase toda, estava ali ao seu lado, em oração e respeito.

Em dado momento, o peregrino levantou-se e caminhou em direção ao altar. Apenas alguns passos, seis ou sete, deixando sua trouxa e o cajado, no caminho de acesso.

Um rumor de surpresa e espanto foi ouvido: Ohhh!

Ninguém saiu do lugar.

O peregrino ajoelhou-se bem perto do crucifixo e começou a rezar, em voz alta e, em línguagem comprensivel.

Fez a primeira e a segunda mais conhecidas preces , pedindo perdão para os pecados de todos que ali estavam, pedindo saúde, enfim a formula geral de solicitações e petições ao divino, concluindo com um sonoro amen.

Todos responderam: amen!

Então uma voz alta e diferente do peregrino ecoou na pequena igreja:

Bem aventurados aqueles que tem fé.
Bem aventurados aqueles que acreditam.
Bem aventurados os de bom coração.
Bem aventurados os que ajudam aos que precisam.
Bem aventurados os que dão, pois irão receber em dobro.

A imagem respondera as preces!

O homem era um santo!
Milagre! Milagre! Milagre!
Gloria! Gloria! Gloria! Gloria!

Uma gritaria formidável, um estupor, dois enfartes, vários desmaios, a choradeira e euforia tomaram conta do ambiente e o peregrino, tão logo a voz se calou, procurou a porta da sacristia, aquela que servira de esconderijo para a piedosa, saindo em seguida, pela outra, a dos fundos, voltando para a rua.

Abriu a sua trouxa, tirou uma caneca e um prato de alumínio, peças logo arrancadas e disputadas pelos moradores ávidos em lhe dar água e comida. Abençoou a todos quantos beijaram suas mãos.
Agradeceu as roupas limpas e os sapatos substitutos das velhas sandálias.
Fez a barba no barbeiro, tomou banho na casa a piedosa, não recusou a coleta feita em seu nome e apreciou a carona ate a rodoviária.

Uma hora depois da saída do ônibus em direção a capital, sentado na primeira fila, ao lado da janela, deu uma conferida na coleta, levantou e avisou ao motorista que iria descer antes, na primeira parada.

Ali mesmo na parada, conseguiu uma carona com um caminhoneiro.

Durante a viagem, contou um pouco de sua historia. Era ventríloquo. Trabalhava em circo e teatro. Gostava do que fazia. De vez em quando participava dos grandes espetáculos da semana santa.

Desceu em Brasília.


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Postado por Contubérnio Ideocrático, o Blog de Raul Almeida
17/1/2018 às 11h28

 
Sismógrafos

Ao sabor
da Rosa
dos Ventos,

os ponteiros
imantados
da bússola

Ao sabor
da brisa
e as
rosas,

os dedos
encantados
do
poeta

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Postado por Metáforas do Zé
17/1/2018 às 10h08

 
La ansiedad

Vital
não é
controlar
a ansiedade
mas
percerber-se
como tal

Jamais
anular
o próprio
silvo

Ansiedade
é a
alma que
desliza
em si
mesma

O crepitar
das chamas

O desdobrar
das rugas
das sedas

As águas
que se
desaguam
per si
para si

Como diria
Bilac:
simplesmente
ouvir as
estrelas...

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Postado por Metáforas do Zé
16/1/2018 às 21h46

 
Barrados no baile

Elas
por
elas

Eles
sem
elas

Quem
é
que
vai
segurar
a
vela?

[Comente este Post]

Postado por Metáforas do Zé
16/1/2018 às 09h58

 
Fluxogramas

Assim como
a correnteza
do rio,

o que
se desfaz
mantém-me
vivaz

Pela repulsa
minha mente
pulsa

É desmontando
o brinquedo
que a
criança
brinca

E, provavelmente,
a morte
é quem
nos mantêm
vivos

O tempo
se denota
ao ser
tragado
por ele
mesmo

Paradoxos:
O sal
da filosofia.

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Postado por Metáforas do Zé
15/1/2018 às 23h18

 
Fio de Eros II

Nervura de vazadouro universo
abrindo crescente planície de visgo.

Em volta da trama, pulsa-me a geometria
dos ciclos e marés do corpo. Ao redor

do meio, ao beijo se expandem costura
e tecido.


(Do livro Teia dos labirintos. Escrituras, 2004)

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Postado por Blog da Mirian
14/1/2018 às 09h41

 
Bipolaridade

Oscilando
em meu P.H.,

quando
ácido
sou corrosivo

e, inflamável
quando alcalino

Idos tempos
da pá
virada

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Postado por Metáforas do Zé
12/1/2018 às 09h31

 
Filme Fisionomia Belém está disponível no Youtube




Após quase três anos, o filme agora está disponível no Youtube. Imagem: Reprodução

Quão estranha e sofrida pode ser (ou é) uma cidade castigada pelo calor e pela chuva quase diariamente? Quão esperançosa é uma cidade que é capital de um estado que desde o hino já sentencia: “teu destino é viver entre festas, do progresso, da paz e do amor”? Quão suja e abandonada é uma cidade com inúmeras “obras-sem-fim” e monturos de lixo, em que seus próprios habitantes e filhos não se intimidam e, em qualquer local e a qualquer momento, escarram grosso e raivosamente em dezenas de cusparadas destinadas ao solo citadino, amaldiçoando-o? Quão alegre e diversificada é uma cidade que na cultura, em que pese a gestão raquítica (pública e privada), possui uma produção rica, peculiar e instigante?
Tais situações peculiares, evidenciadas – e evidentes – na capital paraense e as relações com seus moradores, muitas vezes “inscritas” e/ou sugeridas na fisionomia da cidade são pontos centrais no documentário Fisionomia Belém, lançado no Festival de Audiovisual de Belém em 2015 e que agora está disponível no Youtube e com legendas em inglês. A direção do filme é assinada por Relivaldo Pinho, professor e doutor em Antropologia e Yasmin Pires, publicitária, graduada em Cinema e Audiovisual e mestranda em Filosofia.


Mais de 200 pessoas assistiram a estreia do filme no Festival de Audiovisual de Belém 2015, no Cinema Olympia. Foto: Ana Carolina Almeida Souza


O filme busca mostrar uma "outra Belém": contemporânea, talvez pós-moderna, bem mais "real" e (re)conhecida por sua população, e não somente apresentada através do ufanismo e imediatismo turístico e midiático que, por vezes, a simbolizam. O documentário começou a ser produzido em 2014, durante as atividades do grupo de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual, audiovisual e literária urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”, coordenado por Pinho, e contou com a participação de membros das várias áreas do conhecimento.
Nas pesquisas, que resultaram ainda em um grande acervo de imagens disponibilizado no site do projeto, teve destaque a observação de ruas, avenidas, espaços, propagandas e linguagens artísticas que singularizam e comunicam tais processos, mas que, por vezes, parecem estar despercebidos ou (ainda?) ignorados por certa preferência em incensar a repetição de determinadas fórmulas e imagens.

Acompanhe textos, dicas, downloads, vídeos e outros conteúdos exclusivos em meu site!

O projeto partia da ideia central de que Belém do Pará, em seus prédios, lojas, vitrines, avenidas, muitas vezes possui as marcas de um passado que, entrelaçado com o presente, revela uma realidade submersa, ou próxima demais e instigante. Tal choque – ou diálogo – resulta, e ao mesmo tempo é resultado, de novas reconfigurações do espaço urbano na contemporaneidade, que obviamente também ocorrem na Amazônia, ainda que representações imagéticas e culturais insistam em associações a uma supremacia da paisagem verde, a um folclore inigualável e produções culturais tomadas como exóticas pelo resto do país. Contudo, o que se nota vai bem além: uma realidade em movimento, fluida, problemática e complexa, que incita e, ao mesmo tempo, comunica transformações na fisionomia da cidade.
Tais mudanças, ou mesmo sua miscelânea, são potencializadas em Belém, já que “a Amazônia vive vários tempos”, seja o mítico, o moderno, o pós-moderno, como destacou o professor Ernani Chaves. Uma cidade heterotópica emerge então, o que também está presente não somente nas produções arquitetônicas, institucionais e publicitárias, mas também nas artes.


Saiba mais e conheça o site do Projeto de Pesquisa Fisionomia Belém. Imagem: Reprodução

Deste modo, a chamada “metrópole da Amazônia” pode ser analisada e compreendida através de registros materiais e imagéticos, como fotografias, sejam as mais corriqueiras (nem por isso menos prenhes de significados) ou artísticas, mas também outros produtos estéticos, como filmes, pinturas, intervenções, livros, videoclipes e canções.
“As imagens do projeto, e o próprio filme, procuram representar uma contemporaneidade ignorada por um cotidiano que impossibilita uma reorientação do olhar, incapaz de perceber a cidade sob as várias existências imagéticas e temporais, sobre um espaço que se modifica, que abandona certas vivências e incorpora outras, na qual ruínas e novos edifícios coexistem, uma metrópole veloz, mas, que ainda caminha, repleta de imagens que cintilam e de rostos anônimos”, explica Relivaldo Pinho.

O FILME
No documentário, além de imagens da cidade, tem relevo as entrevistas com pessoas que comunicam de algum modo, percebem e interpretam as modificações pelas quais passa a cidade. Nesse sentido, sua produção integra cinco entrevistas: com Edyr Augusto, jornalista, radialista, redator publicitário, autor de peças de teatro e livros como Os Éguas (1998), Moscow (2001), Casa de caba (2004), Um sol para cada um (2008), Selva Concreta (2012) e Pssica (2015); Ernani Chaves, pós-doutor em Filosofia e professor na Universidade Federal do Pará; Fernando Segotwick, roteirista e diretor, produtor de filmes como Dias (2000) e Matinta (2012); Eder Oliveira, graduado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará e “pintor por ofício” desde 2004; e Lázaro Magalhães, jornalista e músico, um dos fundadores da banda paraense Cravo Carbono.
Yasmin Pires afirma que “O documentário é importante para que haja uma quebra nessa construção amplamente difundida pela mídia sobre o que é Belém ou a Amazônia. Belém deve ser entendida como um espaço urbano cuja construção é permeada por experiências contemporâneas que transcendem o achatamento de uma realidade representada pelo dançar carimbó, ir ao Ver-o-Peso, tomar açaí etc.”, finaliza.

Assista:



OS DIRETORES
-Relivaldo Pinho é Doutor em Ciências Sociais (Antropologia) pela Universidade Federal do Pará (UFPA). É autor dos livros Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia (ed.ufpa, 2015); Mito e modernidade na Trilogia amazônica, de João de Jesus Paes Loureiro (NAEA/UFPA, 2003); Amazônia, cidade e cinema em Um dia qualquer e Ver-o-Peso: ensaio (IAP, 2012), e organizador do livro Cinema na Amazônia: textos sobre exibição, produção e filmes (CNPq, 2004). É autor do capítulo Clifford Geertz (1926-2006), do livro Os antropólogos: clássicos das ciências sociais (Vozes; PUC-RIO, 2015).
-Yasmin Pires é formada em Comunicação Social pela Universidade da Amazônia (UNAMA) e em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Hoje, é mestranda em Filosofia pela UFPA. Participou das produções dos videoclipes Eu Quero Cerveja, de Félix Robatto, Oswald Canibal, de Henry Burnett, e Redenção, da banda Álibi de Orfeu. A captação de imagens e edição do documentário ficou sob responsabilidade da Fóton Filmes.

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FICHA TÉCNICA
Sinopse: A cidade contemporânea parece alargada em transformações cotidianas que se desviam da percepção, com traços que às vezes são descortinados apenas em suas representações. Fernando Segtowick, Éder Oliveira, Lázaro Magalhães, Edyr Proença e Ernani Chaves são os mediadores para falar sobre uma única personagem: Belém do Pará. As mudanças, sociabilidades e representações na capital do estado do Pará, encravada no meio de uma Amazônia mítica e real.
Direção: Relivaldo Pinho e Yasmin Pires
Ideia Original/Entrevistas: Relivaldo Pinho
Roteirização: Yasmin Pires
Direção de Fotografia: Yasmin Pires
Câmera: Yasmin Pires, Camila Machado, Victória Costa, Ana Beatriz Oliveira, Robson Cardoso e Enderson Oliveira
Som Direto: Victória Costa e Wenderson Silva
Produção: Ângelo Cavalcante, Danilo Caetano, Priscila Bentes, Paulo Victor Dias, Thamires Veloso, Enderson Oliveira e Vanda Amin
Edição/Mixagem/Finalização: Victória Costa e Yasmin Pires
Entrevistados: Edyr Augusto, Ernani Chaves, Fernando Segtowick, Éder Augusto e Lázaro Magalhães
Decupagem das Entrevistas: Victória Costa, Enderson Oliveira, Priscila Bentes, Paulo Victor Dias e Thamires Veloso
Trilha: Rhapsody in Blue - George Gershwin; Maze - Snakecharm; Zouk House - Strobo; Andando no Chuvisco - Pio Lobato; Marx Marex - Cravo Carbono; Oswald Canibal - Henry Burnett; Respira - Madame Saatan e Equipe Super Vip - DJ Waldo Squash e Maderito ​
Assessoria de Comunicação: Enderson Oliveira​ ​
Realização: Grupo de Pesquisa Comunicação, Antropologia e Filosofia
Co-Produção: Fóton Filmes


Por Enderson Oliveira

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Postado por Blog de Enderson Oliveira
11/1/2018 às 20h26

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